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Gabaritôprovas que se corrigem

Índice de facilidade e de discriminação: como saber se uma questão de prova é boa

Dois números simples dizem muito sobre uma questão: quantos alunos acertaram e se ela separa quem domina o conteúdo de quem não domina. Veja como calcular e interpretar cada um.

Guia · leitura de 8 min · atualizado em 8 de outubro de 2026

Em resumo

  • Índice de facilidade = alunos que acertaram ÷ total de alunos.
  • Índice de discriminação = taxa de acerto dos 27% com melhor nota − taxa de acerto dos 27% com pior nota.
  • Discriminação abaixo de 0,20 pede revisão; negativa costuma indicar gabarito errado ou enunciado ambíguo.
  • Em turmas pequenas, os índices oscilam muito: olhe a tendência ao longo de várias aplicações.

Índice de facilidade

O índice de facilidade (também chamado de índice de dificuldade, embora cresça quanto mais fácil a questão) é a proporção de alunos que acertaram:

facilidade = alunos que acertaram ÷ alunos que fizeram a prova

Se 18 de 40 alunos acertaram, a facilidade é 18 ÷ 40 = 0,45, ou 45%. Uma leitura comum:

Facilidade Leitura
abaixo de 30% Difícil. Vale conferir se o conteúdo foi bem trabalhado ou se o enunciado confunde.
de 30% a 70% Dificuldade média. É a faixa em que a questão costuma informar mais.
acima de 70% Fácil. Útil para verificar o essencial, mas diz pouco sobre quem vai além.

Essas faixas são convenções, não regras. Uma questão fácil sobre um conteúdo básico pode ser exatamente o que o professor queria.

Índice de discriminação

O índice de discriminação mede se a questão diferencia os alunos que foram bem na prova dos que foram mal. O método clássico:

  1. Ordene os alunos pela nota total da prova.
  2. Separe os 27% com as maiores notas (grupo superior) e os 27% com as menores (grupo inferior).
  3. Calcule a taxa de acerto da questão em cada grupo.
  4. Subtraia: discriminação = acerto do grupo superior − acerto do grupo inferior.

O corte de 27% vem de um estudo de Truman Kelley, de 1939, que mostrou que esse tamanho de grupo equilibra bem dois objetivos: grupos diferentes o bastante entre si e grandes o bastante para o cálculo ser estável.

Exemplo numérico

Uma turma de 40 alunos. 27% de 40 é 10,8: arredondando, cada grupo tem 11 alunos.

Grupo Acertaram Taxa de acerto
Superior (11 melhores notas) 9 de 11 0,82
Inferior (11 piores notas) 3 de 11 0,27
Discriminação 0,55

Com 0,55, a questão separa muito bem quem domina o conteúdo de quem não domina.

Como interpretar

A referência mais usada é a de Robert Ebel:

Discriminação Leitura
0,40 ou mais Muito boa
0,30 a 0,39 Boa, pode melhorar
0,20 a 0,29 Limítrofe, costuma precisar de revisão
abaixo de 0,20 Fraca: revisar ou substituir
negativa Os alunos com pior desempenho acertaram mais que os melhores: confira o gabarito e o enunciado

Lendo os dois índices juntos

  • Muito fácil ou muito difícil, com discriminação baixa: esperado. Se quase todos acertam (ou erram), não há como a questão separar grupos.
  • Dificuldade média, com discriminação baixa: o sinal mais importante. A questão pode estar ambígua, cobrar algo fora do conteúdo ou ter uma alternativa que confunde até os bons alunos.
  • Discriminação negativa: comece pelo gabarito. Erro de gabarito é a causa mais comum e a mais fácil de corrigir.

E nas questões discursivas?

Como a discursiva tem pontuação parcial, troque "acertou" pela proporção da nota: um aluno que tirou 1,5 em uma questão de 2,0 contribui com 0,75. A facilidade passa a ser a média dessas proporções na turma, e a discriminação, a diferença entre a média do grupo superior e a do grupo inferior.

Cuidados

  • Turmas pequenas: com 20 alunos, cada grupo tem 5. Um aluno a mais ou a menos acertando muda o índice em 0,20. Olhe a tendência ao longo de várias aplicações antes de descartar uma questão.
  • O índice aponta, não explica: ele diz que algo está errado com a questão, mas a causa só aparece relendo o enunciado e as respostas.
  • Questão boa não é questão difícil: o objetivo é medir bem, não reprovar.

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